• Said Ali

OPINIÃO: Qual será o futuro das corridas de rua pós-pandemia?

Eventos que antes movimentavam bilhões de reais, ainda não possuem retorno garantido.


No dia 15 de março de 2020, há pouco mais de um ano se considerar a data desse post, aconteceu a última corrida de rua em Santa Catarina nos moldes "normais". E eu estava lá! Ainda não havia o uso de máscaras, somente um cuidado nos cumprimentos, mas tudo indicava que aquela atmosfera não aconteceria de novo tão cedo. E de fato isso se confirmou! :(


Provas começaram a ser adiadas, correr na rua dividia uma comunidade que antes era tão unida, ou parecia ser, e o uso da máscara no exercício se tornava (e ainda é) controverso. Alguns poucos eventos foram insistidos durante a pandemia, mas sempre com pouquíssimos atletas, e aderindo os tais protocolos de segurança. Junto com a saudade, convivemos com a esperança de ter de volta as aglomerações, e para isso, as organizadoras, de mãos atadas, postergam as datas dos eventos. Mas, será que só o tempo fará tudo voltar normal?





EVENTOS SEM PÚBLICO


O Japão anunciou nessa semana que os jogos olímpicos desse ano não poderão ter a presença de turistas estrangeiros, e que mesmo com a vacinação em massa do público local, as regras de distanciamento serão rígidas.


Na Alemanha, o campeonato nacional de futebol admitiu pela primeira vez desde o início da pandemia, torcedores em uma partida. Detalhe: cerca de 600 apenas, todos com distanciamento e com testes da COVID em dia.


Na corrida de rua, o público é o atleta ao mesmo tempo. Então, não há como restringir sem que se modifique a dinâmica. Aqui no Brasil, a ABRACEO, associação brasileira dos organizadores de corrida de rua e esportes outdoor, lançou um protocolo com dezenas de regras a serem cumpridas, tanto para atletas, quanto para staff e fornecedores, de forma a tornar o evento seguro e o mais próximo do que era antes. A iniciativa é válida diante de um cenário cada vez mais preocupante financeiramente. Imagina você, um ano sem seu salário, mas tendo que pagar as contas? Insustentável, né!


Todavia, mesmo em um mundo perfeito, no qual todos os atletas cumprirão as regras desse protocolo, sabemos que não haverá 100% de segurança sem que a doença tenha sido erradicada de vez no país.


NOVO PRODUTO


O termo da moda no último ano foi "o novo normal". Algumas coisas constatamos que eram só da boca pra fora. Porém, creio que os atletas e organizadores terão que assimilar isso a médio prazo. Os eventos da maneira que conhecíamos não devem voltar tão cedo, e arrisco uma data: não antes dos próximos dois anos. Calma! Não estou dizendo que não teremos corridas de rua, mas sim que elas serão diferentes. Menos atletas, menos interação, menos aglomeração, novas regras de horário, novas dinâmicas de largada, chegada e premiação. Os eventos que ignorarem a crise sanitária, correrão sério risco de perderem sua credibilidade.


Não podemos esquecer também que a COVID-19 afundou a economia, principalmente no Brasil, onde não temos liderança nem a nível nacional, nem regional. A moeda desvalorizada e a necessidade de amenizar os prejuízos, encareceram fornecedores e desestimularam patrocinadores. Não é difícil de adivinhar quem vai pagar a conta no final, né?


É importante reforçar que os organizadores não possuem nenhuma culpa de a situação ter chegado a esse ponto, e é fundamental que os corredores abracem os novos formatos. Com raríssimas exceções, as corridas são realizadas por apaixonados pelo esporte, e que antes de tudo, precisam sustentar suas famílias e gerar empregos e renda pra outras pessoas que também precisam desse sustento. É de uma ignorância achar que eles são os vilões.



COMO MANTER A MOTIVAÇÃO?


Muitos corredores afirmam que a motivação dos treinos é fruto da expectativa nas provas. E, infelizmente, vários desses atletas abandonaram o esporte por falta desse incentivo. As corridas de rua estavam no auge da popularidade, e muitos ficaram órfãos sem competições. É aí que nasce uma demanda! As academias e assessorias estão mantendo os atletas ativos, estimulando a regularidade e disciplina, fatores que podem ser transformados em um produto paralelo aos grandes eventos.


Um exemplo é a Educative, assessoria de Balneário Camboriú, que cria seus próprios eventos internos. Desafios de grupo e corridas virtuais tiveram adesão dos alunos, e agora a empresa planeja uma corrida presencial na cidade, no mesmo percurso da cancelada Meia Maratona de Balneário Camboriú, com elementos alusivos como, pontos de hidratação, fotos, medalha e competição entre os atletas. Claro, que é exclusivo pros alunos!


O atleta também possui a responsabilidade de se reinventar. Indico muito o filme Maratona de Brittany, que nos lembra a importância de não depositar todos os nossos problemas e frustrações na corrida. Ela precisa ser alguns ovos da cesta, e não a cesta toda, entende? É tempo de evoluir como ser humano e buscar aprender mais, seja com novos desafios, novas técnicas, agregar um novo esporte. Nos acostumamos a enxergar a corrida como um coletivo, e ela pode continuar sonhando com isso, mas precisamos resgatar a individualidade, e o que há de melhor nela.



E você, concorda com a minha opinião? Deixa nos comentários!



55 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo